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| Geobiologia
No início do século XX alguns médicos europeus
começaram suspeitar através de suas observações
que havia uma relação bastante direta entre certas casas
e as doenças que seus moradores estavam acometidos. Observavam
que independente de quem fosse o morador de um determinado edifício
este em matéria de um ano apresentava manifestações
de câncer e vinha rapidamente a falecer. Os novos moradores após
um período igual de tempo apresentavam os mesmos sintomas e desenvolviam
patologias semelhantes.
Procurando uma versão mais científica
do que poderia estar acontecendo, e deixando de lado grande parte das
crenças regionais que atribuíam os malefícios da
casa a espíritos dos antigos moradores, ou causas sobrenaturais,
estes investigadores passaram a vasculhar tais moradias e identificar
o que nelas havia de diferente, que as tornava assim tão nefastamente
especiais.
Não tardou muito para que os médicos
se vissem defrontados com uma idéia, embora um pouco difícil
de aceitar, de que o problema vinha do subsolo. Esta idéia obviamente
vinha dos Zahorís e Radiestesistas da época, pessoas que
dentre outras coisas, buscavam locais adequados para perfuração
de poços e que apregoavam que não era saudável
viver sobre um leito subterrâneo de água.
Embora a idéia parecesse um pouco estranha
muitos destes pesquisadores, notadamente os doutores Hartmann, Von Pohl
e Curry, resolveram testar a veracidade destes conhecimentos, e uma
série de experimentos foram elaborados, um dos mais utilizados
era composto da seguinte metodologia: pedia-se que um ou mais zahorís
desenhassem sobre o mapa da cidade o curso dos veios subterrâneos
de água e das falhas geológicas que eles eram capazes
de detectar com seus corpos e varetas. Do outro lado sem que houvesse
troca de informação era pedido aos médicos da cidade
que marcassem sobre um segundo mapa da cidade os quartos das pessoas
acometidas de graves doenças ao longo de vários anos,
de acordo com os registros do hospital local. Por último eram
sobrepostos um mapa ao outro e na imensa maioria dos casos a localização
do enfermo correspondia com o posicionamento dos eventos subterrâneos.
A coincidência era extrema para fosse tida
apenas como tal e a partir da década de 20 inúmeros experimentos
mais científicos foram feitos descobrindo-se que realmente sobre
os veios de água e falhas subterrâneas havia uma perturbação
da atmosfera que podia ser medida como uma diferença no potencial
iônico ou elétrico do ar. Outros pesquisadores foram além
e descobriram existia também outras influências além
do subsolo. Identificaram que existiam linhas de força bastante
específicas que compunham o campo magnético terrestre
e que o ponto onde estas linhas se cruzavam era um local de extrema
atividade de radiação telúrica, sendo a possível
causa de diversos males associados à partes do corpo que por
ventura ficassem expostas a estes pontos por longos períodos
de tempo. Mais pesquisas se realizaram e comprovou-se um verdadeira
malha energética sobre o planeta, e que a resistência elétrica
cutânea aumentava sensivelmente quando uma pessoa era colocada
sobre os ditos cruzamentos.
Foi catalogado a relação entre cada
doença e seu agende externo causador ou catalisador e assim estavam
lançadas as bases da Geobiologia, e é claro que isto só
foi possível devido as condições da época,
onde os médicos tinham um contato maior com seus pacientes, conheciam
suas casas e possuíam um espírito investigativo que saia
do consultório e dos laboratórios e se expandia para o
mundo real.
Mas o senso de observação destes
pesquisadores não parou por aí e se estendendo além
dos fatores naturais de desequilíbrio ambiental, e conseqüente
desequilíbrio individual, observaram também que certas
formas eram mais relativas e propícias à vida do que outras,
o círculo, a elipse, a espiral eram formas corriqueiras na natureza,
já as arestas agudas, formas rígidas e quadradas eram
de certo modo raras. Observaram também que quando estas formas
eram traduzidas pela arquitetura em casas e edificações
o bem-estar de seus usuários também estava relacionado
com o formato da construção, seu equilíbrio de
proporções e medidas.
Tudo bastante interessante, mas na realidade não
havia nada de novo em todo este frenesi que se deu na primeira metade
do século passado. As correntes telúricas e suas linhas
de força eram conhecimento comum dos druidas da antiguidade e
mesmo dos radiestesistas e Zahorís daquela época, o conhecimento
das formas foi mais do que utilizado pelos Mestres de Obra da idade
média, do período Gótico e Românico de construções.
A escolha do melhor lugar para se viver ou descansar era uma técnica
bastante apurada dos antigos Romanos que elegiam o local de suas cidades
após um ano de observação do estado de saúdo
dos animais que ali pastavam, e também povos nômades esperavam
seus animais buscarem um local de descanso adequado para então
erigir suas tendas e gozar de um relaxamento repousante em preparação
para as duras caminhadas do dia seguinte. Os chineses com toda sua sofisticação
e observação criteriosa da natureza durante milênios
desenvolveram uma arte refinada de equilibrar as energias do lar, conhecida
como Feng-Shui; os Indianos possuem também sua maneira de otimizar
os fluxos ambientais através do Vaastu Shastra. Tudo o que aconteceu
é que após o Renascimento, o Iluminismo trouxe um obscurecimento
das percepções humanas. Sensações, bem estar,
harmonia, energia, todos estes viraram conceitos muito vagos para uma
sociedade racional que necessitava tocar e medir tudo para que se considerasse
como existente. As coisas passaram a ser dissecadas e vistas fora de
seu contexto, como itens isolados, numa visão de que o mundo
é composto de partes separadas colocadas em conjunto por um acaso
inexplicável, indo contra a própria base da existência
da vida, que não pode acontecer sem uma conjução
de inúmeros fatores. A interação entre as pessoas
e seu meio ambiente deixou de ser valorizada e os reflexos desta ruptura
podem ser vistos nos dias de hoje tanto na comunidade científica
que não consegue integrar seus conhecimentos quanto na sociedade
onde a cada dia mais crescem os estados psicóticos, depressivos,
suicidas e outras deturpações pelo imenso abismo existente
entre o mundo externo e o íntimo das pessoas.
Em seguida a Geobiologia já conhecida como
tal passa a se interessar por outras formas de contaminação
à saúde humana, como radiações cósmicas,
gases emanados do solo e como não poderia deixar ser ela começa
a se preocupar com o efeito colateral da explosão tecnológica
que vivemos nos últimos anos e que hoje é seu maior campo
de pesquisa, ou seja, determinar quais são os custos, além
dos monetários, que estamos pagando com nossa saúde pelo
“conforto” advindo dos novos aparelhos e usos da eletricidade
e das radiações. Nenhum geobiólogo que se preze
é contra a modernização, ou contra a tecnologia.
É inegável o avanço e as benécies de sua
utilização, e mesmo a Geobiologia não existiria
como ciência sem que houvesse estas facilidade tão reais
e tão apregoadas pela mídia. O que se está em busca
porém é de um modo em que esta tecnologia não traga
danos à saúde do modo como vêm fazendo e não
é veiculado ou informado à população usuária.
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