Yoga
(Autor Desconhecido – Fonte da Internet)
Nosso corpo é nossa casa: não importa se você é jovem ou velho, saudável ou doente, duro ou flexível, magro ou gordo, bonito ou feio.
Importa, como diz Swami Dayananda, que existem corpos vivos e corpos mortos. E, se você estiver de fato lendo isto, é porque você deve ter um corpo vivo.
Porque você está vivo!
E, se você estiver de fato vivo e ciente disso, lembre que sempre haverá um método de Yoga do qual você possa beneficiar-se.
O Yoga nos ensina a pensar com o corpo: através da investigação constante, os yogis da antiguidade descobriram que fazer exercícios físicos de forma ritual (ásanas, em sânscrito) pode trazer enormes conseqüências ontológicas.
As tradições hindus nos ensinam que na matéria existe consciência e que na consciência existe energia. O yogi busca a inteligência que está escondida no corpo: este é o ponto de partida para descobrir quem realmente somos.
O Yoga quer dar um corpo novo ao praticante, que ele mesmo irá construir, célula por célula, fibra por fibra. Usando esse novo corpo como instrumento, ele poderá avançar a passos largos em direção à iluminação, que é a meta do Yoga. O único que se precisa ter é muita disposição e força de vontade. Um velho ditado hindu diz:
O verdadeiro heroísmo está em conquistar sua própria natureza.
Lembre então que seu corpo é uma casa muito especial: o corpo humano não é apenas matéria inconsciente ou uma carcaça habitada por uma mente limitada, mas uma realidade vibratória animada pela mesma consciência que anima o próprio universo. Por isso, deveríamos deixar de vê-lo como algo diferente do nosso ser "invisível".
Pense no seu corpo como um receptáculo de energia cósmica, um aglomerado de átomos conscientes, construído à imagem do cosmos. A consciência vibra em cada uma das suas células, está presente em todos seus tecidos!
O Yoga afirma que você é pura existência. Toda divisão cartesiana do tipo corpo-mente, carne-espírito, etc., é pura especulação. A diversidade aparece dentro da unidade, sem separar-se dela. A existência é uma continuidade que se estende desde o espírito até o aspecto mais denso da matéria.
A filosofia do Yoga nos vê como um reflexo do universo. A energia criadora que constrói o mundo se manifesta também no homem, que não está separado nem é diferente dele, pois energia e consciência não são coisas separadas.
A física quântica pensa igual que o Yoga: o universo é um verdadeiro mar de energia. Se a matéria é de fato vibração, então o corpo humano, que faz parte do mundo material, também é energia. Consciência e energia são dois aspectos da mesma realidade. E você está aqui, vivo e respirando...
Então, o que você está esperando para assumir sua condição divinal?
Aprendendo com o Yoga a arte de saber existir.
Quando lemos o Yoga Sútra de Pátãnjali, nos deparamos, no primeiro capítulo (Samádhi Pada), com a seguinte assertiva: "Atha Yoganusasanam". Traduzindo, "Agora, o ensinamento do Yoga".
Desse breve enunciado, podemos concluir que outra etapa antecedeu o ensinamento do Yoga. Acredito que o Yoga surja para nós a partir do momento em que o ser humano, através da busca pelo auto-conhecimento, percebe que para "ser" é preciso "saber existir". Mas, como saber existir?
Existimos em vários níveis: pensamentos, sentidos, corpo físico, enfim, convivemos com outros seres e captamos energia de várias fontes diferentes. Como, por exemplo, a do ambiente em que vivemos e freqüentamos, das pessoas que nos rodeiam, dos alimentos, da natureza e, conseqüentemente, devolvemos essa energia de alguma forma através de nossas ações, pensamentos, palavras, olhar e tudo o que envolve a nossa movimentação pelo universo em busca de algo que não está muito bem definido.
Agora, começa o Yoga.
Daí surge a necessidade de que, antes de caminhar rumo à meta do Yoga, que é o estado de iluminação exaltado pelo samádhi, façamos um bom estágio na fase preliminar rumo ao auto-conhecimento, exercitando a ética do Yoga. Em outras palavras, assimilando as valiosas informações advindas dos yamas e nyamas. Yama significa controle ou domínio. É o pontapé inicial, trazendo cinco proscrições éticas: ahimsá - a não violência; satya - falar a verdade; asteya - não se apropriar de coisas alheias, não roubar; brahmacharya - não desvirtuar a sexualidade; e aparigraha - não apegar-se. Esses refreamentos pretendem aniquilar a subjetividade que surge do egocentrismo e prepará-lo para o estágio seguinte.
Os niyamas são prescrições psicofísicas: shauchan - a purificação do corpo; santosha - o contentamento; tapas - a austeridade ou esforço sobre si próprio; swádhyáya - o estudo das escrituras do Yoga e de si próprio; Íshvara pranidhána - que seria a entrega das ações ao Absoluto, a uma força suprema. Aqui, percebemos a necessidade de desenvolver ferramentas que facilitem a busca de algo que, de fato, desconhecemos: a nossa natureza. Pura, livre e descondicionada. Sujamos a nossa existência com uma busca equivocada. Ser "esperto" está longe daquilo que você realmente é e do que realmente quer ser. Mas não sabemos disso. Nossa ignorância metafísica nos afasta da sutileza e do conhecimento verdadeiro: a busca pela nossa essência - o auto-conhecimento.
Quando nos deparamos com os yamas e nyamas, percebemos como é difícil nos "desprogramar". Bloqueamos ou retardamos a nossa evolução com armadilhas que a sociedade nos ensinou a montar para nós mesmos: a mentira, a agressividade contra aqueles que nos ameaçam, o uso equivocado ou parcial dos sentidos (ver somente aquilo que se quer ver), o apego a pessoas, coisas e relacionamentos, o que se reflete num boicote de se passar para a etapa seguinte. E assim caminha a humanidade, sempre dando um jeito de parecer mais "esperta" do que realmente é. O yogi tenta desatar os nós, mas também precisa perceber que, muitas vezes quem dá o nó é ele próprio. Por isso chega o momento da prática e do estudo. Buscar a visão periférica. Abrir os canais e sutilizar o corpo. Ver e querer ver a verdade. Mover-se. Ligar-se. E que durante esse processo esteja presente o bom humor e a pureza. E a fé de que, se nós estivermos fazendo o melhor para nós mesmos e sem fazer mal a ninguém, o que tiver de ser será...
Aí a nossa existência começa a ter um brilho tão forte, que acaba se refletindo no olhar. Um olhar de quem não se importa com essas miudezas que a sociedade criou para nos encaixotar.
A nossa consciência oscila do racional ao emocional constantemente. Ambas atreladas ao ego: o veneno que aniquila e cega o homem. E quando a nossa expressão mais sutil e verdadeira se manifesta, que é a nossa intuição, um sussurro da nossa natureza, conseguimos perceber num gesto e num olhar de alguém coisas tão grandiosas que ficamos extasiados. E sorrimos como crianças.
Começamos, então, a entender o significado de existência, de saber existir. O sábio que nos habita começa a nos guiar. Permitindo que as coisas fluam, seguindo seu caminho sem se prostrar da sua consciência como vítima, e sim como mero expectador.
As coisas acontecem, mudam e nós apenas acompanhamos essas transformações sem carregar a culpa de se ir adiante. Nós não somos os nossos pensamentos. Nossa mente é capaz de criar histórias, situações e obstáculos que nos cercam e nos aprisionam. Precisamos arrancar essa casca e mergulhar fundo, bem fundo no Ser.
Resgatar a essência e privilegiar a nossa intuição, pois é essa que dá vida àquela. Assim, humildemente, nos aproximamos do verdadeiro significado do "saber existir". E, finalmente, percebemos que para sermos felizes, basta apenas SER.
Toda a vida é Yoga.
Na visão certa, tanto da vida como do Yoga, toda a vida é, consciente ou subconscientemente, um Yoga. Com esse termo estamos querendo dizer um esforço metodizado em direção à autoperfeição, através da expressão das potencialidades latentes no ser, e à uma união do humano individual com a Existência universal e transcendente, que vemos parcialmente expressa no homem e no Cosmos. Mas toda a vida, quando olhamos por trás de suas aparências, é um vasto Yoga da Natureza, tentando realizar sua perfeição numa expressão crescente de suas potencialidades, para unir-se com sua própria realidade divina.
No homem, seu pensador pela primeira vez sobre esta terra, ela planeja meios autoconscientes e sistemas voluntários de atividades, através dos quais esse grande propósito pode ser obtido mais rápida e poderosamente. O Yoga, como Swami Vivekananda disse, pode ser considerado como um meio de comprimir a nossa evolução em uma vida única, ou em poucos anos, ou mesmo em poucos meses de existência corporal.
Um dado sistema de Yoga, então, não é nada mais do que uma seleção ou uma compressão de formas de intensidade mais estreitas, mas mais enérgicas, dos métodos gerais que já estão sendo usados dispersa e amplamente em um movimento vagaroso, com uma perda de material e energia mais profusa e aparente, mas com uma combinação mais completa pela grande Mãe, no seu vasto trabalho para cima.
É somente essa visão do Yoga que pode formar as bases de uma síntese racional e segura para os métodos de Yoga. Pois, então, o Yoga deixa de parecer algo místico e anormal, que não tem relação com os processos ordinários do Mundo-Energia ou com a finalidade que ele mantém em vista, nos seus dois grandes movimentos de auto-realização subjetiva e objetiva; revela-se, melhor, como um uso de poderes intensos e excepcionais que ele já manifestou ou está organizando progressivamente em suas operações menos exaltadas, porém mais gerais.
Os métodos de Yoga relacionam-se com os trabalhos psicológicos habituais do homem, assim como o manejo científico da força natural da eletricidade ou do vapor relacionam-se com as operações normais do vapor e da eletricidade. E eles também são formados baseados em um conhecimento desenvolvido e confirmado por experiência regular, análise prática e resultado constante...
O objetivo verdadeiro e completo e a utilidade do Yoga podem somente ser realizados quando o Yoga consciente no homem tornar-se o Yoga subconsciente na Natureza, externamente limitado, mas com vida própria, e nós podemos, uma vez mais, olhando, tanto para o caminho quanto para a realização, dizer num sentido mais perfeito e luminoso: "toda a vida é Yoga".